Além das perspectivas com a expansão portuária e exploração do pré-sal, outro mercado é promissor em Santos: o de apoio e prestação de serviços às produções audiovisuais. Esse novo filão para a economia local começou a ganhar força em outubro de 2007, com a criação pela prefeitura da Santos Film Commission – agente facilitador às produtoras que escolhem a cidade para gravações de curtas e longas-metragens, novelas, filmes publicitários, clipes e outros. Desde então já foram 167 produções, que movimentaram cerca de R$ 4 milhões.

Entre os destaques, as filmagens de Lula, o Filho do Brasil e da novela Ciranda de Pedra, da Rede Globo, além de dezenas de comerciais para veiculação na televisão brasileira e internacional. Em 2008, quando começou efetivamente a atuação da comissão, foram realizadas 31 produções (filmagens, pré-estréias etc). No ano passado, esse número mais que dobrou, atingindo a marca de 70. Apenas nos últimos três meses, Santos recebeu 14 produções e, no domingo, duas empresas do setor automobilístico gravaram seus comerciais no Centro Histórico: Honda e Citroën.

O produtor de locação Jeferson dos Santos Fleck, proprietário da JEK Produções (de São Paulo), comprova o sucesso do município como cenário. Nos últimos três anos, ele esteve em Santos mais de 50 vezes para a produção de filmes de marcas como Boticário, Olympikus, Ford e Itaú, e até para um canal de TV da França. Fleck destaca entre as vantagens em filmar por aqui o apoio da Santos Film Commission, proximidade com São Paulo e variedade de ambientes. “Santos tem uma série de locações, com arquitetura gótica, bondinho, deck do pescador e Bolsa do Café, dando a sensação de que se está em vários lugares”, disse o produtor, acrescentando que já utilizou a cidade para simular locais distintos como Caribe e Rússia.

Para o presidente da Abrafic (Aliança Brasileira de Film Commissions) e da São Paulo City Film Commission, Eder Mazini, a revitalização do Centro Histórico é um dos principais indutores da atração de produções a Santos, aliado a ação da comissão local que, segundo ele, segue todos os trâmites para facilitar o trabalho das produtoras.

Entre os auxílios oferecidos, estão suporte técnico na busca de locações, agilidade na negociação de serviços para obtenção de melhores custos, bancos de dados com profissionais de diversos segmentos e escritório para as equipes de produção. “A Santos Film Commission está entre as cinco melhores do Brasil”, afirmou Mazini.

Setor gera oportunidades de negócios

A filmagem de um comercial dura em média dois dias. No caso de pequenas e médias produções, diariamente são gastos na cidade de R$ 20 mil a R$ 40 mil, entre alimentação, figuração, transporte, locação de espaços, contratação de mão de obra (carregadores, serralheiros, seguranças, técnicos de iluminação e cenografia etc) e hospedagem. Grandes produções de comerciais ou longas-metragens, que demoram mais tempo e utilizam maior número de profissionais e locações, podem chegar ao gasto diário de R$ 200 mil.

Aproveitando a oportunidade gerada pelo setor audiovisual, algumas empresas santistas já começam a obter retorno. É o caso do Antiquário Castelinho, da Aparecida, que se tornou referência no fornecimento de fantasias, roupas de época e acessórios às produtoras. Com acervo de vestuário de mais de mil itens, já atendeu documentários regionais e filmes nacionais. Por conta da procura, o estabelecimento investe na compra de mais peças. “Eu acredito no fortalecimento desse filão em Santos. Também estou investindo em formação e, por isso, fiz um curso sobre história da moda”, afirmou a sócia do antiquário e produtora de figurinos, Júlia Mathias Moreira.

A hotelaria é outro setor que se beneficia da vinda dessa indústria. O Atlântico Hotel, no Gonzaga, é utilizado com freqüência para hospedar técnicos e atores. Em média, cada produção traz de 30 a 40 profissionais. Durante as filmagens do longa sobre a vida do ex-presidente Lula, em fevereiro de 2009, o hotel chegou a ter 150 hóspedes. “Eles ocuparam 50 quartos, o que representou cerca de 30% da ocupação”, disse o proprietário José Lopez Rodrigues. Segundo ele, além da hospedagem, muitos produtores também utilizam o saguão de entrada do imóvel, da década de 1920, como pano de fundo de gravações.

A Santos Film Commission é ligada às secretarias municipais de Comunicação Social, Cultura e Turismo, e conta com parceria da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e Seduc (Secretaria de Educação). Sua sede fica na Casa da Frontaria Azulejada (Rua do Comércio, 96, Centro), imóvel da Fams (Fundação Arquivo e Memória de Santos).

Fonte: Novo Milênio