Mercado aportou R$ 20 mi na economia brasileira, segundo números divulgados em workshop em Santos

Por Carlota Cafiero – A Tribuna

Enquanto diversos setores da economia no Brasil se retraem, o mercado do audiovisual se encontra em expansão. Parece contraditório, mas pesquisas recentes indicam que a economia criativa cresce com a crise, e um dos fatores que levam a isso é o grande empreendedorismo que o setor exige.

Foi o que mostrou Odete Cruz, gerente executiva da Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), em palestra, ontem, no Auditório BNDES do Museu Pelé, no Valongo, dentro do workshop Objetiva – Empreendedorismo em Foco.

“O setor audiovisual é um dos mais importantes da economia criativa. Está em 10º lugar no ranking internacional. O mercado audiovisual aportou R$ 20 milhões na economia brasileira. Foi responsável pela criação de 99 mil postos de trabalho diretos e 107 mil indiretos em 2014. Em termos de arrecadação de impostos, falamos em R$ 3,38 bilhões, em 2015”, revelou a gerente.

Os números são do Mapeamento e Impacto Econômico do Setor Audiovisual no Brasil 2016, o maior já realizado no País, elaborado pela Fundação Dom Cabral, a pedido da Apro e do Sebrae – o documento está disponível no site da Objetiva.

A pesquisa foi abordada no encontro de ontem, que durou o dia todo, para uma plateia de 80 pessoas. Participaram profissionais da área de gestão e captação de recursos para o audiovisual.

O workshop funcionou como uma degustação de um curso maior, que a Apro está oferecendo pela primeira vez fora das capitais (já o levou para São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Porto Alegre).

Odete falou sobre o Projeto de Capacitação de Empresários do Setor Audiovisual, um curso que, segundo ela, é “quase como uma pós-graduação”.

Executiva do mercado audiovisual há 20 anos, atuando nas áreas de planejamento estratégico, Pay TV, programação, comercialização de canais internacionais e conteúdo, Odete contou que trouxe o workshop para Santos a convite da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e destacou a pujança na área do audiovisual por aqui:

“É uma Cidade que já tem uma Film Conmission bastante ativa, diferentemente de São Paulo, que criou a sua, a SP Cine, há dois anos, além de iniciativas como o Instituto Querô, que fomenta jovens da periferia”, comparou.

Uma Film Commission é uma organização estatal ou paraestatal que atrai e oferece assistência para a realização de produções audiovisuais.

Entre os fundadores do Instituto Querô está a diretora-presidente interina da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Debora Ivanov – que estava sendo esperada para o encontro de ontem, mas foi chamada para uma reunião em Brasília, para, provavelmente, discutir sua permanência efetiva no cargo. No lugar dela, veio a Santos a assessora da Ancine, Myriam Assis.

O Projeto de Capacitação de Empresários do Setor Audiovisual foi criado para acabar com o que Odete chamou de “gap” (atraso, descompasso) da indústria audiovisual no Brasil, que é a falta de capacitação não somente técnica, mas de gestão e governanca. “Queremos ajudar produtoras de cinema a crescerem de forma mais sustentável”, disse ela.

Existem, atualmente, no Brasil, em torno de 7 mil produtoras de conteúdo audiovisual registradas na Ancine e que, efetivamente, têm seus projetos catalogados na Biblioteca Nacional. Para Odete, é um número bastante expressivo.

Já em Santos, a secretária-adjunta da Secult, a cineasta Raquel Pellegrini, afirma haver cerca de 20 produtoras.